Empreendedorismo

Empreendedorismo: característica nata ou adquirida?

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Entender a mente empreendedora – suas motivações e pontos fracos – é o caminho para transformar grandes ideias em realidades transformadoras

Em meus anos no mundo corporativo, já me deparei com os mais variados perfis de profissionais. Desde os executores, que são perfeitos para tocar um projeto, mas sofrem ao ter que cria-los ou elaborar algo que “saia da caixinha”; até os sonhadores, que têm as ideias mais incríveis, fantásticas e inovadoras, porém, na maioria das vezes, inexequíveis.  Por me deparar, e liderar também, tantas pessoas, comecei a me perguntar: o empreendedor nasce com essa característica? Ou essa é uma condição que pode ser adquirida e desenvolvida. Uma pessoa pode se transformar em um empreendedor?

Essa pode até não ser uma ciência exata, mas uma coisa posso afirmar com convicção: o empreendedor nasce com o chip do empreendedorismo já instalado nele. E nascer assim confere à pessoa uma série de características e aptidões que já foram inclusive temas de estudos, de manuais e de teses. De forma prática, ou você nasce empreendedor ou não nasce. Mas o que é importante destacar é que um empreendedor não nasce pronto. Até porque ao nascer empreendedor, o sujeito carrega também uma série de deficiências que são típicas desse perfil.

O empreendedor é aquele que tem o brilho nos olhos quando ele tem uma ideia. Ele acredita firmemente que se ele fizer aquilo acontecer, se aquela ideia sair do papel, ele vai ter sucesso, vai ganhar dinheiro, vai modificar a história de um mercado ou até mesmo alterar e melhorar toda a sociedade. Alguma coisa ele vai construir, porque ele é um construtor. Aquela ideia quando surge, e empreendedores criam novas ideias constantemente, vai ficar pipocando na sua cabeça. Então, sua primeira atitude é compartilhar a ideia com os outros e angariar pessoas que estejam dispostas a ajudar. E ele vai conquistar muitos, porque fala de forma convicta, com a certeza cristalina de que aquele projeto vai funcionar.

Mas nesse momento, aparece também um erro comum do empreendedor. Nessa motivação desenfreada, ele acaba pegando todo mundo para trabalhar com ele. É aí que os problemas começam a acontecer. Porque normalmente o empreendedor não é um gestor. Ou pelo menos não nasce com essa característica desenvolvida. Por isso é fundamental que ele conte com um filtro entre ele e sua equipe. Para que os sonhos realmente se tornem projetos, com metodologia de execução, métricas de avaliação de resultados e caminhos concretos para se tornarem realidade. Até porque, o empreendedor tem outra característica marcante. Se ele percebe que o time não acompanha seu ritmo ou não é capaz de executar a ideia, ele mesmo vai lá e faz.

A garra do empreendedor é nata e faz com que ele vá e execute. Mas ao mesmo tempo, ao atuar sozinho ele reduz a capacidade de entrega – afinal todos têm limites. Isso vai diretamente contra a sua capacidade de criar, que é ilimitada. Entendem o paradoxo? Sua grande virtude pode ser também seu maior ponto fraco.

Entender essa realidade permite que saibamos como atuar: seja empreendendo, seja executando. Não é demérito algum nascer sem o perfil empreendedor. Pelo contrário, quantos grandes executivos nos inspiram por seus trabalhos brilhantes? O demérito é não conhecer e não se adaptar às suas próprias características. Isso pode ser um desperdício imensurável.

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