Empreendedorismo, Mulher

As mulheres na gestão das empresas

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Papel feminino aumenta na liderança das empresas, e mulheres de destaque dizem por quê.

Dados da pesquisa “Women in Business 2015”, da Grant Thornton, mostram que mais da metade das empresas no Brasil não possuem mulheres em cargos de liderança, colocando o país na 3° posição entre os que menos promovem funcionárias para posições mais altas. De acordo com o estudo, 57% das companhias brasileiras não tem mulheres em cargos de liderança. O pais fica atrás apenas do Japão, com 66%, e da Alemanha, com 59%. A média mundial é de 32%.

Os números ainda são tímidos em relação a outros países, mas mostram uma melhora gradual se compararmos com o cenário de décadas atrás. Aos poucos, as mulheres ocupam cargos de liderança e se destacam pelo empreendedorismo, revelando uma tendência mundial. Segundo lista da revista Fortune, referência para o mundo corporativo, as mulheres ocupam 16,9% dos assentos nos Conselhos de Administração das 500 empresas mais importantes do planeta. Algumas características consideradas afloradas na personalidade feminina são muitos apreciadas nas companhias: aperfeiçoamento nos processos de tomada de decisão, injeção de criatividade e inovação. É o caso da Adm. Marisa Peraro, CEO da Pró-Corpo. Ela iniciou o negócio sozinha em 2006 e, atualmente, a rede possui 13 unidades nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A empresa faturou R$ 61 milhões em 2014 e planeja dobrar a quantidade de unidades próprias no Brasil até o fim deste ano.

“Penso que a mulher é mais comunicativa e adepta de compartilhar experiências, o que pode ser uma vantagem bastante competitiva no desenvolvimento profissional dela e no mundo dos negócios. Esse atributo também faz toda a diferença na liderança de uma equipe, que se sente mais envolvida e motivada quando há comunicação transparente no time”, afirma.

A Adm. Lilian Guimarães, vice-presidente de Pessoas e Cultura da Natura, concorda com o raciocínio de que o toque feminino pode “humanizar” a gestão. Nos tempos de hoje, em que o mundo está inseguro, e as pessoas por consequência, as mulheres conseguem ser mais sensíveis, acolhedoras, fora melhor para a gestão. A mulher é mais receptiva ao outro.

Mulher também é multitarefas, consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo. Às vezes isso é positivo, mas pode ser negativo se perder o foco. Lembrando que isso são características gerais, genericamente falando”, explica.

De fato, as mulheres estão empreendendo cada vez mais. Segundo o Sebrae, 52% dos novos empreendedores no País (aqueles com menos de três anos e meio de atividade) são mulheres. “As mulheres têm muito a contribuir para a vida das organizações.

Elas são mais sensíveis e, por isso, têm maior habilidade para perceber detalhes importantes dentro de um cenário complexo e analisar riscos de maneira mais precisa. A diversidade de pensamento é sempre bem-vinda nas empresas, no sentido de promover a criatividade e inovação” diz a Adm. Janine De Nes, CFO do Groupon Brasil.

Para Cristina Boner, presidente do Conselho de Administração da Globalweb Corp, “a empreendedora tem características especificas que demonstram mais flexibilidade, sensibilidade e poder de diálogo, o que pode ser decisivo nos resultados” Além disso, ela

acredita que a capacidade que a mulher tem de ouvir antes de decidir, engajar equipes e conciliar posições divergentes são atitudes cada vez mais desejáveis nas empresas

Liderança e preconceito

Apesar de todos os avanços, ainda existe um certo olhar de estranhamento para mulheres que ocupam altos cargos e chefiam equipes. Mesmo as gestoras que chegaram lá, relatam que o caminho é muitas vezes dificultado apenas pelo fato de serem mulheres “Sabemos que as mulheres ainda não ocupam tantos cargos de chefia nas grandes empresas e que ainda não recebem salários iguais aos dos homens, mesmo com jornadas de trabalho parecidas. Mas este é um cenário que já está mudando”, avalia Marisa.

Na visão de Janine, outro fato sensível ás empresas é a questão da maternidade.” Algumas empresas enxergam a maternidade como um entrave para a produtividade, não como algo natural, que deve ser incorporado á rotina e aos planos das organizações. È importante que a mulher possa ser percebida por sua capacidade e merecimento, não por seu gênero”, afirma. Sua empresa, o Groupon, têm programas específicos para desenvolvimento de lideranças femininas, oferecendo horário flexível e até mesmo espaço para as crianças, que serve como apoio nos dias mais puxados.

A mulher ainda lida diariamente com o fato de “precisar provar” que é capaz de assumir cargos empresariais com competência igual ou superior aos homens. “A minha experiência de mulher empreendedora, que atua em uma área predominantemente masculina, diz que o estranhamento pode até existir em um primeiro momento, mas ele logo desaparece depois que as habilidades empreendedoras são demonstradas. Por isso, acredito que a mudança cultural é a chave para tornar o mercado de trabalho mais igualitário”, diz Cristina.

“Apesar de já termos avançado muito neste sentido, ainda existe preconceito quanto á aceitação da mulher no mercado de trabalho. A maior prova disso ainda é o salário desigual, mesmo que com uma diferença menor nos dias de hoje.

Outra barreira é, sem dúvida, a função social das mulheres. Responsáveis pelo lar e pela família, elas ainda sofrem com a ausência e a distância, principalmente em relação aos filhos”, conclui.

Mesmo as mulheres que estão em posições de destaque nas corporações admitem que as mudanças não ocorrem na velocidade em que gostariam, principalmente em termos salariais, mas também consideram que o caminho é promissor para o futuro e que muita coisa já mudou para melhor. “Nos ambientes corporativos mais comuns já é normal ter mulher na chefia. As equipes estão olhando muito mais para a competência do gestor do que para o gênero. Acho que as mulheres estão mais maduras em relação ao seu papel na sociedade, e por isso estão mais seguras, em qualquer ambiente. Temos muitos exemplos em organizações”, afirma Lilian.

A SITUAÇÃO DA MULHER NO MERCADO
Segundo dados do IBGE de 2013, vivem no Brasil 103.5 milhões de mulheres, o equivalente a 51,4% da população. Em 2014, o Instituto apontou que apenas quatro estados (Rondônia, Roraima, Amazonas e Pará) têm mais homens que mulheres e o Amapá tem um número equilibrado entre os dois sexosDas 50 milhões de famílias (únicas e conviventes principais) que residiam em domicilio particulares em 2010, 37,3% tinham a mulher como responsávelAinda segundo o IBGE, em 2010, as mulheres representavam 57,1 do total de est comudantes, entre 18 a 24 anos, que frequentavam o ensino superior, A principal diferença percentual por sexo encontra- se no nível superior completo, onde 12,5% das mulheres completaram a graduação contra 9,9% dos homensNas eleições de 2014, o Tribunal Superior Eleitoral tinha em seus registros 77.459.424 eleitoras diante de 68.247.598 eleitores do sexo masculinoNas eleições de 2014, aliás, aumentou a participação de mulheres que concorreram aos cargos em disputa: foram 6.572 candidatas contra 5.056 no pleito de 2010. Ainda assim, a proporção da participação feminina na política brasileira ficou abaixo dos 30% estipulado como mínimo pela legislação eleitoral
Pesquisa da Fundação Seade, em parceria com o Dieese, referente ao período entre 2013 e 2014, aponta que valor médio da hora de trabalho feminino subiu 5,3% em um ano, aumentando de R$ 9,31 para R$ 9,80, enquanto o valor médio da hora de trabalho masculina caiu 0,2%, em 2013, para R$ 12, 04 em 2014Ainda segundo esta pesquisa, 55% das mulheres de São Paulo em idade produtiva trabalham, mas ganham apenas 81,04% dos salários dos homensO estudo mostra, ainda que índice de desemprego entre as mulheres é maior do que quando estão sem emprego elas demoram uma semana a mais que eles para encontrar uma nova colocação22% das mulheres ocupadas em São Paulo têm nível superior, enquanto entre os homens esse percentual é menor de 15,8%57% das empresas brasileiras não possuem mulheres em cargos de liderança, o que  coloca o Brasil no terceiro lugar entre os países que menos promovem mulheres no mundo

 

AVANÇO MERECIDOS

As mulheres desfrutam de uma posição na sociedade mais privilegiada do que em décadas passadas. Ocupam o merecido espaço, desempenhando tarefas e conquistando cargos que antes eram destinados apenas à ala masculina. Apesar disso, não deixam de atuar como mães ou declinam das rotinas do lar. A revolução feminina começou a evidenciar-se, principalmente, na década de 1960, com a explosão dos movimentos feministas na Europa e Estados Unidos. A mulher passou a conquistar mais espaço no mercado de trabalho, ganhando cada vez mais independência e respeito.

Apesar de todos os avanços dos últimos 50n anos, ainda existe uma herança patriarcal difícil de ser extinta. No Brasil, a mulher continua a ganhar, em média, menos que os homens, mesmo que os homens, mesmo desempenhando cargos semelhantes. Outro dado preocupante: elas ainda somam os maiores percentuais de desocupados, chegando a 7,7% contra 5,6% dos homens.

Mas há sinais animadores de que a situação feminina pode, efetivamente, melhorar nos próximos anos. Um deles vem do resultado do balanço do CIEE que indica que as mulheres são maioria entre os estagiários (63%) e aprendizes (52%). Esses programas, de cunho social, voltados para a capacitação e formação profissional, facilitam a inserção dos jovens no mercado de trabalho pela vivencia pratica que adquirem nas empresas e órgãos públicos. Com o enriquecimento do currículo e as vantagens na aplicação das teorias acadêmicas na prática laboral, essas meninas saem na frente na corrida por um futuro promissor, com perspectivas da diminuição das perversas desigualdades entre os gêneros.

Embora o papel da mulher seja cada vez mais relevante, é necessário combater o legado intrínseco na sociedade, melhorando o acesso das mulheres ao mercado de trabalho e promovendo a igualdade nos salários e cargos. Só assim teremos uma nação verdadeiramente democrática.

Fonte: Administradores

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