Tecnologia

Redes de TI buscam franquias para aumentar capilaridade

O formato até pouco tempo era incomum, mas já vem sendo adotado por empresas de TI para atingir um maior número de clientes

Algumas empresas do setor de tecnologia – que registra crescimento na casa dos dois dígitos nos últimos anos, marca muito superior a média da economia brasileira – têm apostado no modelo de franquia, formato incomum para este mercado até pouco tempo, em busca de evolução nos ganhos e atingir um número maior de clientes. 

A Compusoftware, empresa brasileira de licenciamento softwares corporativos – a companhia é uma das cinco maiores revendedoras Microsoft no Brasil – e serviços de infraestrutura, nasceu em São Paulo no início da década de 1990. Após investir na abertura de filiais, a companhia aposta no modelo de franquia para aumentar sua capilaridade. “O serviço que oferecemos é franqueável, temos um bom modelo. Nosso pensamento é virar uma unidade franqueadora e entregar tudo isso para canais. Mas para isso precisamos de dinheiro”, conta o COO da Compusoftware, Adriano Vieira. 

A companhia faturou R$ 205 milhões no seu último ano fiscal e, para manter o ritmo acelerado do setor, deve investir R$ 20 milhões em estrutura e suporte às franqueadas. “Se eu monto um escritório, o custo é gigantesco. Por isso escolhemos esse modelo de franquia. O cara já tem o negócio dele, só precisa fazer rodar.” 

A ideia da Compusoftware é fechar o ano fiscal – de abril de 2014 a março de 2015 – com cinco franquias em atividade. “Temos expectativa de abrir cinco franquias neste ano fiscal: uma em Belo Horizonte – que já está em fase de testes -, uma no Rio de Janeiro, uma em Macaé, uma na Região Norte e uma na Região Nordeste, entre Recife e Salvador”, revela o executivo. 

O modelo de franquia é uma das apostas da Compusoftware para atingir metas arrojadas de crescimento nos próximos anos. A empresa quer crescer 22% este ano e chegar a R$ 250 milhões de faturamento. “Hoje, trabalhamos com a perspectiva das franquias representarem 10% do nosso faturamento: R$ 25 milhões.” 

Até o fim do ano fiscal que começa em 2016, a empresa espera dobrar seu faturamento e chegar a R$ 500 milhões. Até lá, a parcela de importância das franquias deve aumentar. “O ideal para nós é que 25% do nosso faturamento total venham das franquias.” 

Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), Ricardo Camargo, o modelo de franquia tem atraído empresas de tecnologia principalmente por conta da segurança jurídica que ele proporciona. “As empresas preferem franqueados ao invés do tradicional modelo de representante comercial. Com este formato, as empresas diminuem o risco de processos trabalhistas que geram estresse. Estes franqueadores sentem mais segurança assim em comparação ao modelo tradicional”, analisa. 

Camargo crê que a expansão do mercado de tecnologia vai, consequentemente, se refletir no aumento da sua representatividade no modelo de franquias brasileiro. “Cada vez mais empresas buscam tecnologia para gerenciar seus números. A tendência é empresas que não investem em estudos avançados de CRM sumirem. Com este mercado em expansão, o número de empresas que podem oferecer esse sistema no modelo de franquia pode amamentar ainda mais”, conta. 

Totvs já adota o modelo 

A brasileira Totvs, líder no fornecimento de softwares de gestão empresarial no País com faturamento na casa do R$ 1,6 bilhão em 2013, já aposta no modelo de franquia há um bom tempo. O vice-presidente de atendimento e relacionamento da Totvs, Rodrigo Caserta, explica o porquê da escolha deste formato de negócio. “Queríamos ocupar todos os territórios possíveis, um modelo de expansão acelerada. Teríamos dificuldade de alcançar capilaridade no País com outro formato. Temos unidades que nos representam em todo o território nacional e até fora do Brasil”, conta. 

Com 45 franquias espalhadas pelo País, a Totvs agora aposta em segmentação para seguir crescendo. “Temos uma franquia em São Paulo dedicada ao segmento jurídico. Ela só representa a Totvs em um segmento, mas é superespecializada. Estamos nesse movimento de especialização da franquia, mas priorizando a exclusividade territorial”, finaliza.

Fonte: DCI

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